Blog idealizado por um grupo de alunos do PET (Programa de Ensino Tutorial) do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de São Carlos com o intuito de divulgar informações relacionadas à alimentação atual, seus problemas e possíveis soluções.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Comércio do açúcar se foca no iminente excedente brasileiro
GENEBRA, 18 Abr (Reuters)
Os preços do açúcar bruto podem cair para até 15 centavos de dólar por libra-peso pela primeira vez em mais de 2 anos e meio, disse um importante negociante nesta quinta-feira, com estoques excedentes, uma moagem acelerada e uma demanda moderada pelo etanol brasileiro levando a mais perdas.
O açúcar compete o etanol na destinação da cana-de-açúcar no Brasil, e os preços precisam recuar para níveis que levassem as usinas a reduzir a produção da commodity, disse um trader da Louis Dreyfus, Omar al-Dahhan, nesta quinta-feira. "Nós precisamos que o açúcar recue para cerca de 15 a 16,5 centavo de dólar", disse Dahhan durante um seminário da Kingsman em Genebra.
"O mercado do açúcar precisa encontrar uma solução para o excedente. Se o preço não recuar, mais açúcar vai ser produzido", acrescentou. Às 14h50 (horário de Brasília), o maio do açúcar bruto recuava 0,17 centavo, a 17,68 centavos por libra-peso, com estoques abundantes pressionando os preços que haviam registrado o dobro deste nível em fevereiro de 2011. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar.
VISÃO MAIS AMPLA
O tom baixista de Dahhan ecoou a visão de vários analistas e operadores.
"Pelos próximos 18 meses, nós esperaremos um excedente global e isso provavelmente manterá os preços sob uma pressão baixista", disse Sergey Gudoshnikov, economista sênior da Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês).
A organização com sede em Londres antecipa um excedente global de 8,5 milhões de toneladas em 2012/13 (outubro/setembro), e um excedente novamente, ainda que significativamente menor, em 2013/14.
"Para o curto prazo, nós não temos motivos para mudar nossas crenças, ou seja, o excesso está chegando, será grande, e vai pressionar os preços para baixo", disse Robin Shaw, analista da corretora Marex Spectron.
Usinas em importantes produtores devem maximizar sua moagem de cana para levar seus custos a um mínimo, em face dos preços do açúcar, que hoje estão em próximos dos custos de produção, mesmo nas plantas mais eficientes.
O Brasil tem capacidade suficiente para moer sua vasta safra de cana, disseram analistas. As usinas brasileiras enfrentaram problemas para lucrar nos últimos anos, uma vez que não possuíam cana o suficiente para operar suas usinas em plena capacidade.
Fortes chuvas no início da temporada de colheita da cana no Brasil elevou os preços do etanol feito a partir da cana brasileira, potencialmente reduzindo a demanda pelo combustível, mas a previsão meteorológica é de clima seco para os próximos dez dias.
"O elemento climático no Brasil pode limitar a queda dos preços do açúcar em vez de apoiá-los, por conta da pressão do excedente global", disse um operador.
(Reportagem de David Brough)
Fonte: http://g1.globo.com/economia
18/04/2012
sábado, 13 de abril de 2013
Bactérias são 'culpadas' por associação entre carne vermelha e doenças cardíacas
A associação entre o consumo de carne vermelha e doenças cardíacas pode não estar relacionada apenas à gordura mas também às bactérias do corpo humano que se alimentam de uma substância química da carne.
Um estudo publicado no periódico "Nature Medicine" apontou que bactérias que habitam o trato digestivo humano metabolizam um composto da carne chamado carnitina, transformando-o em óxido de trimetilamina, conhecido como OTMA. Esse metabólito já havia sido relacionado ao desenvolvimento de aterosclerose (doença que causa o entupimento de artérias) em humanos.
A carnitina é um composto natural da carne vermelha mas também um suplemento alimentar disponível em forma de comprimido e um ingrediente comum de bebidas energéticas. A carnitina é encontrada ainda em outros alimentos, como peixe, frango e até em laticínios, mas em quantidades menores.
Os pesquisadores viram que a carnitina sozinha não era perigosa. O problema aparece quando ela é metabolizada pelas bactérias do intestino e se transforma em óxido de trimetilamina no sangue. O estudo descobriu também que uma dieta rica em carnitina leva ao crescimento das bactérias que metabolizam esse composto químico e a uma produção ainda maior do óxido de trimetilamina (e, portanto, a uma chance maior de ter entupimento de artérias).
O estudo foi liderado por Stanley Hazen, da Clínica Cleveland, e Robert Koeth, estudante da escola de medicina da mesma instituição.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores testaram os níveis de carnitina e óxido de trimetilamina em onívoros, vegetarianos e veganos e examinaram os dados clínicos de 2.595 pacientes que haviam feito exames cardíacos eletivos.
Eles também examinaram os efeitos cardíacos de dietas ricas em carnitina em ratos normais, que foram comparados a ratos que tinham níveis suprimidos da flora intestinal, e descobriram que o óxido de trimetilamina altera o metabolismo do colesterol, o que explica sua relação com a aterosclerose.
Os pesquisadores concluíram que níveis aumentados de carnitina em pacientes elevam o risco de doenças cardiovasculares, mas apenas em pessoas que também tinham níveis mais altos de óxido de trimetilamina. Além disso, eles viram que os níveis do óxido eram significativamente menores nos vegetarianos e veganos. E, mesmo depois de consumirem uma quantidade grande de carnitina, pessoas com essas dietas não produziram grandes quantidades do óxido.
"As bactérias que habitam nossa flora intestinal são ditadas por nosso padrão de dieta a longo prazo", disse Hazen. "Uma dieta com muita carnitina altera a composição da flora, o que torna os consumidores de carne mais suscetíveis a formar o óxido de trimetilamina e ter seus efeitos ligados ao entupimento de vasos. Ao mesmo tempo, vegetarianos e veganos têm uma capacidade reduzida de sintetizar o óxido da carnitina, o que pode explicar os efeitos benéficos dessas duas dietas."
Pesquisas anteriores haviam mostrado que uma dieta com consumo alto de carne vermelha é associada a um risco maior de doença cardiovascular, mas o colesterol e a gordura saturada presentes na carne não pareciam ser suficientes para explicar esse risco aumentado.
Essa discrepância havia sido atribuída a diferenças genéticas, a uma dieta rica em sal (normalmente associada ao maior consumo de carne) e até ao processo de cozimento da carne, entre outras explicações. Hazen, porém, afirma que sua pesquisa sugere uma nova conexão entre a ingestão de carne vermelha e as doenças cardíacas.
"Esse processo é diferente para cada um, dependendo do metabolismo da flora intestinal de cada indivíduo", diz. "O metabolismo de carnitina sugere uma nova forma de explicar por que uma dieta rica em carne vermelha leva à aterosclerose."
Hazen afirma, porém, que o estudo não quer dizer que a carne vermelha seja totalmente maléfica. Segundo ele, o alimento contém proteína e vitamina B, ambos essenciais para a saúde.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1258839-bacterias-sao-culpadas-por-associacao-entre-carne-vermelha-e-doencas-cardiacas.shtml
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Tecnologia brasileira aumenta prazo de validade de alimentos
Publicação: 03/04/2013
A Nanox obteve o registro da Food and Drug Administration (FDA), agência regulamentadora de alimentos e fármacos dos Estados Unidos, para comercializar materiais bactericidas para aplicação em embalagens plásticas de alimentos. A empresa foi criada a partir de um grupo de pesquisa do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDC) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.
A empresa também foi contemplada, pela segunda vez, pelo programa Global Entrepreneurship Lab (G-LAB), da Escola de Administração do Massachusetts Institute of Technology (MIT Sloan). Desde setembro recebe consultoria de estudantes da instituição no desenvolvimento de um plano de negócios para preparar sua entrada no concorrido mercado norte-americano. Em janeiro, uma equipe de estudantes do programa visitou a sede da empresa, em São Carlos, no interior de São Paulo, para concluir o trabalho.
Com o plano de negócios em mãos, a Nanox pretende abrir uma subsidiária nos Estados Unidos e atrair investidores para auxiliá-la a montar a operação.
“Nós já conversamos com representantes de alguns fundos de investimento no Vale do Silício para ajudar a desenvolver toda a parte estrutural da subsidiária que pretendemos abrir nos Estados Unidos”, disse Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox, à Agência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, o material bactericida que pretendem comercializar nos Estados Unidos é a mais recente aplicação de uma linha de antimicrobianos inorgânicos – batizada de “NanoxClean” –, que começaram a desenvolver em 2005.
Por meio de um projeto apoiado pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequena Empresa (PIPE), a empresa, que na época tinha o nome Science Solution, começou a produzir inicialmente partículas nanoestruturadas (em escala na bilionésima parte do metro) à base de prata, com propriedades bactericidas, antimicrobianas e autoesterilizantes.
O material foi aplicado na superfície de metais – em instrumentos médicos e odontológicos, como pinças, bisturis e brocas –, em secadores de cabelo, purificadores de água, tintas, resinas e cerâmicas.
A partir de 2007, passaram a estender a aplicação do produto para plásticos usados para embalar e conservar alimentos, com certificação obtida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2012 para essa finalidade.
“A tecnologia que desenvolvemos para colocar prata em uma matriz cerâmica e, depois, adicionar esse material a um polímero, também resultou no depósito de algumas patentes no Brasil e nos Estados Unidos”, contou Simões.
Aumento da vida útil
Segundo Simões, as embalagens plásticas com os antimicrobianos inorgânicos desenvolvidos por eles aumentam o prazo de validade de alimentos acondicionados com o material. Dessa forma, o produto pode ser consumido por muito mais tempo.
“Um produto que durava seis meses, por exemplo, se armazenado em uma embalagem com o material bactericida, passa a durar de oito meses a um ano”, comparou.
O material, segundo Simões, pode ser aplicado em qualquer tipo de plástico de alimento – de sacos de supermercados a plásticos mais rígidos, como potes de margarina –, com um aumento de custo muito baixo em relação ao polímero convencional.
Para iniciar a comercialização do produto nos Estados Unidos, a Nanox realiza atualmente testes com cinco potenciais clientes – entre eles uma grande rede de supermercados e um fabricante de embalagens.
A empresa é a única fabricante do produto no Brasil. No mercado internacional, no entanto, enfrenta a concorrência de indústrias japonesas, que desenvolveram inicialmente a tecnologia, além de alemãs, que dominam a fabricação de produtos à base de prata.
A Nanox, contudo, desenvolveu uma tecnologia própria que utiliza entre 10 a 15 vezes menos prata do que seus concorrentes, ao mesmo tempo em que mantém a transparência do plástico – atributo considerado fundamental para o produto.
Ampliação de mercado
A Nanox pretende obter a certificação do produto nos Estados Unidos para outras aplicações, como, por exemplo, em saúde. O processo de registro de um produto na área de saúde junto ao FDA, no entanto, é mais demorado e complexo do que em aplicações em alimentos, exigindo a realização de estudos clínicos para garantir a segurança dos consumidores.
“Nossa previsão é de comercializar o produto para embalagens alimentícias no mercado norte-americano entre três e cinco anos e, depois disso, obtermos certificações para aplicação em cateteres e equipamentos de ultrassom, por exemplo”, disse Simões.
A Nanox já exporta para o México e a Itália e começou a ingressar no mercado chinês. De modo a conseguir manter seu plano de expansão e crescimento, por meio de um projeto PAPPE/PIPE fase 3, a empresa começou a aumentar nos últimos anos sua escala de produção.
A meta da empresa é aumentar dez vezes a escala de produção de partículas antimicrobianas nanoestruturadas, saltando dos atuais 10 quilos para 100 quilos por dia. “Estamos testando diversas metodologias para aumentar nossa escala de produção”, disse Simões.
Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2013/04/03/interna_tecnologia,366808/tecnologia-brasileira-aumenta-prazo-de-validade-de-alimentos.shtml
A empresa também foi contemplada, pela segunda vez, pelo programa Global Entrepreneurship Lab (G-LAB), da Escola de Administração do Massachusetts Institute of Technology (MIT Sloan). Desde setembro recebe consultoria de estudantes da instituição no desenvolvimento de um plano de negócios para preparar sua entrada no concorrido mercado norte-americano. Em janeiro, uma equipe de estudantes do programa visitou a sede da empresa, em São Carlos, no interior de São Paulo, para concluir o trabalho.
Com o plano de negócios em mãos, a Nanox pretende abrir uma subsidiária nos Estados Unidos e atrair investidores para auxiliá-la a montar a operação.
“Nós já conversamos com representantes de alguns fundos de investimento no Vale do Silício para ajudar a desenvolver toda a parte estrutural da subsidiária que pretendemos abrir nos Estados Unidos”, disse Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox, à Agência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, o material bactericida que pretendem comercializar nos Estados Unidos é a mais recente aplicação de uma linha de antimicrobianos inorgânicos – batizada de “NanoxClean” –, que começaram a desenvolver em 2005.
Por meio de um projeto apoiado pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequena Empresa (PIPE), a empresa, que na época tinha o nome Science Solution, começou a produzir inicialmente partículas nanoestruturadas (em escala na bilionésima parte do metro) à base de prata, com propriedades bactericidas, antimicrobianas e autoesterilizantes.
O material foi aplicado na superfície de metais – em instrumentos médicos e odontológicos, como pinças, bisturis e brocas –, em secadores de cabelo, purificadores de água, tintas, resinas e cerâmicas.
A partir de 2007, passaram a estender a aplicação do produto para plásticos usados para embalar e conservar alimentos, com certificação obtida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2012 para essa finalidade.
“A tecnologia que desenvolvemos para colocar prata em uma matriz cerâmica e, depois, adicionar esse material a um polímero, também resultou no depósito de algumas patentes no Brasil e nos Estados Unidos”, contou Simões.
Aumento da vida útil
Segundo Simões, as embalagens plásticas com os antimicrobianos inorgânicos desenvolvidos por eles aumentam o prazo de validade de alimentos acondicionados com o material. Dessa forma, o produto pode ser consumido por muito mais tempo.
“Um produto que durava seis meses, por exemplo, se armazenado em uma embalagem com o material bactericida, passa a durar de oito meses a um ano”, comparou.
O material, segundo Simões, pode ser aplicado em qualquer tipo de plástico de alimento – de sacos de supermercados a plásticos mais rígidos, como potes de margarina –, com um aumento de custo muito baixo em relação ao polímero convencional.
Para iniciar a comercialização do produto nos Estados Unidos, a Nanox realiza atualmente testes com cinco potenciais clientes – entre eles uma grande rede de supermercados e um fabricante de embalagens.
A empresa é a única fabricante do produto no Brasil. No mercado internacional, no entanto, enfrenta a concorrência de indústrias japonesas, que desenvolveram inicialmente a tecnologia, além de alemãs, que dominam a fabricação de produtos à base de prata.
A Nanox, contudo, desenvolveu uma tecnologia própria que utiliza entre 10 a 15 vezes menos prata do que seus concorrentes, ao mesmo tempo em que mantém a transparência do plástico – atributo considerado fundamental para o produto.
Ampliação de mercado
A Nanox pretende obter a certificação do produto nos Estados Unidos para outras aplicações, como, por exemplo, em saúde. O processo de registro de um produto na área de saúde junto ao FDA, no entanto, é mais demorado e complexo do que em aplicações em alimentos, exigindo a realização de estudos clínicos para garantir a segurança dos consumidores.
“Nossa previsão é de comercializar o produto para embalagens alimentícias no mercado norte-americano entre três e cinco anos e, depois disso, obtermos certificações para aplicação em cateteres e equipamentos de ultrassom, por exemplo”, disse Simões.
A Nanox já exporta para o México e a Itália e começou a ingressar no mercado chinês. De modo a conseguir manter seu plano de expansão e crescimento, por meio de um projeto PAPPE/PIPE fase 3, a empresa começou a aumentar nos últimos anos sua escala de produção.
A meta da empresa é aumentar dez vezes a escala de produção de partículas antimicrobianas nanoestruturadas, saltando dos atuais 10 quilos para 100 quilos por dia. “Estamos testando diversas metodologias para aumentar nossa escala de produção”, disse Simões.
Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2013/04/03/interna_tecnologia,366808/tecnologia-brasileira-aumenta-prazo-de-validade-de-alimentos.shtml
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Alimentos têm deflação global, mas sobem no País
Considerado um dos celeiros do mundo, o Brasil tem vivido uma situação inusitada nos últimos meses. Enquanto os alimentos ficaram mais baratos no exterior desde o ano passado, o preço da comida brasileira está na contramão e sobe sem parar há 19 meses.
Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) mostram que, globalmente, os alimentos têm queda consecutiva desde outubro de 2012 e acumulam deflação de 2,6% no período. No Brasil, ao contrário, os preços ao consumidor subiram 5,5%.
Com a economia global ainda tentando sair da crise, a demanda por commodities segue aquém do esperado pelos analistas, especialmente em grãos - segmento em que o Brasil é um forte exportador. Com as estimativas frustradas, os preços internacionais engataram a tendência de queda.
Comparação. Levantamento feito pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, com dados da FAO revela que a economia global vive atualmente a maior sequência de quedas do índice de preços de alimentos desde o estouro da crise financeira no fim de 2008.
Esse índice é medido pela FAO conforme a evolução mensal do preço de 55 alimentos de origem vegetal e animal em cinco categorias: açúcar, carnes, cereais, lácteos e oleaginosos.
O Brasil, porém, não sentiu essa recente virada dos preços. Na mesa do consumidor brasileiro, ao contrário, nada mudou e a inflação segue firme a tendência de alta. Ou seja, a queda dos preços internacionais - verificada nas commodities como soja, milho, café e carnes - ficou em algum lugar até chegar à casa do consumidor.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que os preços do grupo Alimentação e Bebidas têm subido todos os meses desde agosto de 2011, conforme a série dessazonalizada. Nesse período, a inflação da comida avançou nada desprezíveis 16,5% ou mais de três vezes a meta de inflação perseguida pelo Banco Central. No índice medido pela FAO, o mundo é completamente diferente: deflação acumulada de 9% nos mesmos 19 meses.
Na contramão. Os dois últimos meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - parâmetro oficial no Brasil para a evolução dos juros -, inclusive, revelam que a remarcação voltou a ganhar força e a inflação de alimentos e bebidas foi de 1,63% em janeiro e 1,52% em fevereiro.
O ritmo é o mais forte desde o fim de 2007, quando alimentos chegaram a subir 1,97% em um mês. Naquele ano, porém, o Brasil cresceu mais de 7,0%. Em 2012, vale lembrar, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro girou em torno de 1,0% e deve avançar para 3,0% este ano. Ou seja, alimentos têm subido tanto quanto em 2007, mas a economia roda muito abaixo da velocidade daquele ano.
Nos 12 meses acumulados até fevereiro, o grupo Alimentação e Bebidas do IPCA dessazonalizado acumula alta de 11,7%, a maior desde novembro de 2008 - logo após a quebra do banco americano Lehman Brothers. Na medição internacional de preços de alimentos feita pela FAO, o mesmo período acumulou deflação de 2,24%.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Quais alimentos podem substituir o caro tomate?
O grande trunfo do tomate é um antioxidante chamado licopeno. Mas os
alimentos com cores do amarelo ao vermelho, como a cenoura e a abóbora, podem
substituí-lo a contento
Desde
que o preço do tomate atingiu altas históricas, nas últimas semanas, e
praticamente virou artigo de luxo na mesa dos brasileiros, restaurantes e
consumidores estão o utilizando cada vez menos. Na hora de montar o cardápio
das refeições, no entanto, é possível substituí-lo por outros alimentos de
igual ou semelhante valor nutricional. Qualquer vegetal ou fruta que tenha
coloração entre o amarelo e o vermelho trazem o mesmo tipo de carotenoide
(substância responsável pela coloração vermelha do fruto) pelo qual o tomate é
famoso: o licopeno.
Antioxidante notório pela capacidade de ajudar a prevenir o
câncer de próstata, o licopeno é um carotenoide que dá a cor avermelhada a
certos alimentos — como melancia e goiaba. Os carotenoides, por sua vez, além
de serem corantes naturais, se caracterizam por ajudarem o corpo a manter seus
níveis normais de vitamina A. A ingestão dessa substância é importante porque
ajuda a prevenir a liberação dos radicais livres, moléculas que levam ao
envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças.
"Não adianta, no entanto, comer apenas tomate ou apenas
cenoura, que são do mesmo grupo. A pessoa deve comer cinco cores diferentes, já
que cada grupo de cor oferece um tipo de antioxidante diferente, para garantir
uma ação eficaz", diz o médico Durval Ribas Filho, presidente da
Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
Para substituir o consumo de tomate, basta escolher qualquer
outro vegetal ou fruta que tenha coloração variante entre amarelo e vermelho.
Entre as opções mais comuns estão cenoura, abóbora, melancia, caqui e goiaba. O
ideal é que o consumo desses alimentos, assim como o de tomate, seja de 100
gramas diárias. Além do licopeno, o tomate também é rico em vitamina C,
magnésio, potássio e fibras. Essas substâncias, no entanto, podem ser
facilmente encontradas em grande parte dos demais legumes e vegetais.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/quais-alimentos-podem-substituir-o-tomate
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Até metade dos alimentos do mundo vai para o lixo, diz estudo
Até a metade de todo o alimento produzido no mundo acaba indo parar no lixo devido a métodos falhos de colheita, armazenamento e transporte, assim como de atitudes irresponsáveis de varejistas e consumidores, afirmou um relatório nesta quinta-feira. O mundo produz cerca de quatro bilhões de toneladas métricas de alimentos por ano, mas entre 1,2 e 2 bilhões de toneladas não são consumidos, disse o estudo do Instituto de Engenheiros Mecânicos, com sede em Londres. "Esse nível de desperdício é uma tragédia que não pode continuar se quisermos ter sucesso no desafio de atender de forma sustentável nossas futuras demandas de alimentos", disse. Nos países desenvolvidos, como a Grã-Bretanha, métodos eficientes de agricultura, transporte e armazenamento indicam que a maior parte do desperdício ocorre através do comportamento varejista e do consumidor. Os varejistas produzem 1,6 milhão de toneladas de resíduos alimentares por ano porque rejeitam grupos de frutas e legumes comestíveis que não cumprem os critérios exatos de tamanho e aparência, disse o estudo da sociedade de engenharia. "Trinta por cento do que é colhido do campo nunca realmente atinge o mercado (principalmente o supermercado) devido à triagem, seleção de qualidade e por não cumprir critérios puramente cosméticos", disse. Dos alimentos que chegam às prateleiras de supermercados, de 30 a 50 por cento do que é comprado nos países desenvolvidos são jogados fora pelos consumidores, geralmente devido à má compreensão das datas de "melhor consumido antes" e "usar até". Uma data que diz "usar até" é colocada quando há um risco de saúde associado com o uso do alimento depois dessa data. Um "melhor consumido antes" fala mais sobre a qualidade, quando ela expira, não significa, necessariamente, que o alimento seja prejudicial, mas que pode perder parte do sabor e textura. No entanto, muitos consumidores não sabem a diferença entre os rótulos e jogam no lixo alimentos antes que o prazo de validade expire.
POPULAÇÃO CRESCENTE
Na Grã-Bretanha, cerca de 16,3 bilhões dólares em alimentos são jogados fora pelas residências todos os anos, e parte disso é apta para o consumo, disse o estudo. Já em países menos desenvolvidos, como os da África subsaariana ou os do Sudeste Asiático, o desperdício costuma ocorrer devido à ineficiência na colheita e no armazenamento. Nos países do Sudeste Asiático, por exemplo, as perdas com o arroz podem ser de 37 a 80 por cento da produção, totalizando cerca de 180 milhões de toneladas por ano, disse o documento. A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que a população mundial atinja o pico de cerca de 9,5 bilhões de pessoas até 2075, significando que haverá 2,5 bilhões de pessoas a mais para alimentar. O aumento populacional, junto com a melhoria da nutrição e a mudança de dietas, pressionará pelo aumento no fornecimento global de alimentos nas próximas décadas. O aumento no preço dos alimentos e das commodities vai levar à necessidade de reduzir o desperdício, tornando a prática de descartar frutas e legumes comestíveis por razões cosméticas menos viáveis economicamente. No entanto, os governos não deveriam esperar que o preço dos alimentos provoque uma ação sobre essa prática de desperdício, mas produzir políticas que mudem o comportamento do consumidor e convençam os varejistas a deixar de lado esse modo de agir, disse o estudo. Países que se desenvolvem rapidamente, como Brasil e China, vêm aprimorando a infraestrutura para transportar as colheitas, ganhar acesso aos mercados exportadores e melhorar as instalações de armazenamento, mas precisam evitar os erros cometidos pelas nações desenvolvidas e garantir que sejam eficientes e bem conservados. Países mais pobres exigem investimentos significativos para melhorar sua infraestrutura, disse o relatório. Por exemplo, a Etiópia está estudando desenvolver uma rede nacional de instalações para armazenamento de grãos que deve custar pelo menos 1 bilhão de dólares. "Esse nível de investimento será necessário para diversas commodities e em vários países, e os esforços coordenados serão essenciais", disse o relatório.
(Reportagem de Nina Chestney)
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ate-metade-dos-alimentos-do-mundo-vai-para-o-lixo-diz-estudo,982793,0.htm
sexta-feira, 29 de março de 2013
Óleo de avelã e semente de girassol são alternativas saudáveis; veja por quê
Sempre muito popular na cozinha dos brasileiros, o óleo é um produto que requer atenção pelo perigo que pode oferecer à saúde, dependendo da quantidade ingerida e de sua origem.
Durante o último Congresso Internacional de Nutrição Funcional e Esportiva, realizado em São Paulo em 2012, um dos produtos que chamou a atenção foi o óleo de avelã. Não é para menos, ele une o útil ao agradável, dando um sabor especial aos pratos e sendo uma boa opção para a saúde. Por ser uma fruta oleaginosa, a avelã é generosa em gorduras boas e saudáveis para o organismo.
"Rico em ácido oléico, um monoinsaturado dos ácidos graxos, o óleo ajuda a reduzir os níveis de colesterol e a controlar o diabetes. Além disso, possui as vitaminas B1, B2 e B6, essenciais para a formação do sangue e saúde mental", explica Paula Castilho, nutricionista da Sabor Integral Consultoria em Nutrição.
O óleo de avelã ajuda ainda a prevenir problemas como aterosclerose (acúmulo de material gorduroso nas paredes das artérias), doenças cardíacas e AVC (Acidente Vascular Cerebral). A vitamina E, presente em abundância nesse produto, é um potente oxidante que ajuda a reduzir a degeneração da célula.
Durante o último Congresso Internacional de Nutrição Funcional e Esportiva, realizado em São Paulo em 2012, um dos produtos que chamou a atenção foi o óleo de avelã. Não é para menos, ele une o útil ao agradável, dando um sabor especial aos pratos e sendo uma boa opção para a saúde. Por ser uma fruta oleaginosa, a avelã é generosa em gorduras boas e saudáveis para o organismo.
"Rico em ácido oléico, um monoinsaturado dos ácidos graxos, o óleo ajuda a reduzir os níveis de colesterol e a controlar o diabetes. Além disso, possui as vitaminas B1, B2 e B6, essenciais para a formação do sangue e saúde mental", explica Paula Castilho, nutricionista da Sabor Integral Consultoria em Nutrição.
O óleo de avelã ajuda ainda a prevenir problemas como aterosclerose (acúmulo de material gorduroso nas paredes das artérias), doenças cardíacas e AVC (Acidente Vascular Cerebral). A vitamina E, presente em abundância nesse produto, é um potente oxidante que ajuda a reduzir a degeneração da célula.
Fábio Bicalho, nutricionista clínico e funcional, ressalta outro benefício da avelã: "É rica também em ômega-9, gordura essencial à alimentação, caroteno, selênio, fósforo, potássio e magnésio". Por ser estável a altas temperaturas, o óleo não queima facilmente e possui um sabor adocicado que enriquece tanto pratos salgados como doces.
- A avelã é rica em gorduras boas e saudáveis para o organismo e seu óleo ajuda a reduzir os níveis de colesterol e a controlar o diabetes
O ideal é que 30% da energia que uma pessoa precisa seja obtida por meio da ingestão de gordura. "A de origem vegetal é constituída de vários ácidos graxos mono e poli-insaturados, que apresentam benefícios à saúde, como a melhora na proporção de colesterol bom e ruim no sangue. Por isso, óleos como o de avelã são indicados", explica Paulo Henkin, médico nutrólogo da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).
Girassol
Outro destaque no último Congresso Internacional de Nutrição Funcional foi o óleo de pepita de girassol. A semente de girassol é nutritiva e rica em gordura poli-insaturada e, quando torrada, apresenta nutrientes como vitaminas E, D e do complexo B, selênio, fósforo e potássio. Com tantos benefícios, esse óleo foi apresentado no evento como um grande auxiliar nos tratamentos nutricionais. O produto representa uma alternativa saudável em substituição à manteiga, óleo de soja e margarina.
Bicalho explica o motivo: "Esses outros apresentam alto teor de gordura saturada, mais prejudicial à saúde: 66%, 15% e 18%, respectivamente. Em comparação a eles, o óleo de girassol ganha, pois seu teor é de apenas 11%."
Leve e fluido, o óleo traz benefícios à saúde e pode ser consumido todos os dias. "Contém gorduras poli-insaturadas, que desempenham a função de reduzir o mau colesterol (LDL) e atua como antioxidante essencial para a formação e recuperação muscular", afirma Castilho. Outra vantagem é seu alto teor de vitaminas B e B1, fundamentais, como já foi dito, para o bem-estar psicológico.
Com um sabor que lembra o de nozes, o óleo de pepita de girassol pode acompanhar saladas, pratos frios, massas e carnes.
Girassol
Outro destaque no último Congresso Internacional de Nutrição Funcional foi o óleo de pepita de girassol. A semente de girassol é nutritiva e rica em gordura poli-insaturada e, quando torrada, apresenta nutrientes como vitaminas E, D e do complexo B, selênio, fósforo e potássio. Com tantos benefícios, esse óleo foi apresentado no evento como um grande auxiliar nos tratamentos nutricionais. O produto representa uma alternativa saudável em substituição à manteiga, óleo de soja e margarina.
Bicalho explica o motivo: "Esses outros apresentam alto teor de gordura saturada, mais prejudicial à saúde: 66%, 15% e 18%, respectivamente. Em comparação a eles, o óleo de girassol ganha, pois seu teor é de apenas 11%."
Leve e fluido, o óleo traz benefícios à saúde e pode ser consumido todos os dias. "Contém gorduras poli-insaturadas, que desempenham a função de reduzir o mau colesterol (LDL) e atua como antioxidante essencial para a formação e recuperação muscular", afirma Castilho. Outra vantagem é seu alto teor de vitaminas B e B1, fundamentais, como já foi dito, para o bem-estar psicológico.
Com um sabor que lembra o de nozes, o óleo de pepita de girassol pode acompanhar saladas, pratos frios, massas e carnes.
fonte : http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/03/29/oleo-de-avela-e-pepita-de-girassol-sao-alternativas-saudaveis-veja-porque.htm
domingo, 13 de janeiro de 2013
Alimentos mais nutritivos já estão sendo produzidos no Brasil
A produção é parte de um projeto da Embrapa
Foto: Getty Images
Feijão com o dobro de ferro, batata-doce alaranjada com muita vitamina A e arroz polido com altos teores de zinco. Esses alimentos já estão sendo produzidos no Brasil e podem ser aliados importantes no combate à desnutrição, principalmente da população mais pobre. Os produtos foram desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e são conhecidos como alimentos biofortificados.
A técnica proporciona o melhoramento por meio da seleção das sementes que apresentam características desejáveis de micronutrientes e não usa a manipulação genética, o que significa que não são alimentos transgênicos. A pesquisa começou há cerca de dez anos, sob a coordenação da engenheira de alimentos da Embrapa Marilia Nucci.
'Nós estamos desenvolvendo cultivos agrícolas com maiores teores de ferro, zinco e pró-vitamina A. Começamos trabalhando com mandioca, feijão e milho. Depois fomos adicionando outros alimentos, como o feijão caupi [variedade resistente à seca], batata-doce, trigo e abóbora. Estamos buscando alimentos básicos, consumidos em grande quantidade pela população mais carente.'
A Embrapa dispõe de uma quantidade de sementes para o plantio das safras. A distribuição é feita por meio de pedidos diretos, que podem ser feitos por prefeituras ou escolas, podendo ser utilizados nos programas de merenda escolar. O foco do projeto é a Região Nordeste. Testes foram feitos nos estados do Maranhão, de Sergipe e do Piauí, onde também é processada a multiplicação das sementes.
O feijão teve os teores elevados de 50 gramas para 90 gramas de ferro por quilo. A mandioca, que praticamente não tem betacaroteno, passou para nove microgramas por grama. A batata-doce teve o betacaroteno elevado de 10 microgramas por grama para 115 microgramas por grama. O arroz teve o teor de zinco acrescido de 12 para 18 microgramas por quilo. 'A batata-doce que nós lançamos é cor de abóbora. Ela tem a mesma quantidade de pró-vitamina A que a cenoura. O gosto é muito bom e está agradando principalmente as crianças', disse.
A Embrapa faz parte de uma aliança internacional para desenvolver alimentos biofortificados, mas a propriedade intelectual do que for desenvolvido no Brasil pertencerá à empresa. No país, já são cerca de 1,2 mil famílias plantando alimentos biofortificados, com expectativa de se chegar a 15 mil nos próximos três anos.
Em 2014, a Embrapa pretende desenvolver um teste de impacto nutricional com a população para medir os resultados dos alimentos biofortificados em comparação aos convencionais. Atualmente a empresa desenvolve sete variedades agrícolas: abóbora, arroz, batata-doce, feijão, feijão caupi, mandioca e milho. Outras informações podem ser acessadas na página da Embrapa sobre o projeto: www.biofort.com.br.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Alergia a alimentos pode melhorar com exposição a pequenas doses
Técnica conhecida como dessensibilização tenta imunizar o paciente por meio de um consumo leve, porém crescente, de produtos que costumam causar o problema.
Até pouco tempo atrás, pessoas com alergia a algum alimento tinham de eliminá-lo de sua dieta. Mas pesquisas recentes têm demonstrado a eficácia de uma nova alternativa: a imunoterapia por dessensibilização, que consiste em expor o paciente a quantidades pequenas e crescentes do alimento que provoca a reação alérgica.
Epitácio Pessoa/AE
Gabriel, entre sua mãe e a médica Ariana Yang: ele tem alergia a leite desde os 6 meses de vida
Caso a resposta do paciente seja positiva, ele não precisa mais se privar do ingrediente e, além disso, livra-se do risco de consumi-lo sem saber, no meio de alimentos industrializados. “Essa é uma mudança recente que tem ocorrido no tratamento de alergias a alimentos mais comuns, como leite, ovo e trigo”, afirma a médica Ariana Campos Yang, da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia.
Um dos estudos que comprovou o sucesso da estratégia foi publicado neste ano pela revistaNew England Journal of Medicine. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte submeteram 40 crianças de 5 a 11 anos alérgicas a ovo ao consumo diário de um pó à base de ovo.
A quantidade do produto, no início muito pequena, foi aumentando progressivamente. Depois de 22 meses, as crianças passaram por um teste no qual ingeriram 10 gramas do alimento, o que equivale a dois ovos inteiros. O resultado foi que 75% dos participantes conseguiram passar no teste e começaram a tolerar o consumo de ovo.
Outra pesquisa, divulgada pela Universidade de Cambridge em março, testou a técnica para tratar alergias a amendoim. Crianças com alergia severa receberam quantidades crescentes de farinha de amendoim, o que fez com que se tornassem tolerantes ao alimento.
A alergia ocorre quando há um erro no sistema imunológico. Com a função de nos defender, o sistema pode errar nessa tarefa e provocar uma reação forte contra um alimento que, para outras pessoas, é inofensivo. “Quando começamos com uma dose menor e aumentamos de forma contínua, conseguimos induzir as células regulatórias, que consertam o que está errado no sistema, deixando assim de ter aquela reação contra o alimento”, diz Ariana, que aplica o tratamento no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
“No início, o alimento é ingerido em concentrações muito diluídas. Começamos com doses bem pequenas por via oral até chegar ao alimento puro. Cerca de 90% dos pacientes têm boa resposta”, observa Ariana.
Reação imediata. No HC, essa estratégia já vem sendo adotada há cerca de dez anos. Nem todo alérgico é candidato ao tratamento, mas podem se beneficiar aqueles que têm a alergia conhecida como IgE mediada, na qual a reação ao alimento é imediata.
“O fato de a reação ser rápida facilita a dessensibilização, pois já se sabe na hora se o paciente teve ou não reação. Nas alergias tardias, em que os sintomas começam horas ou dias depois, não se sabe qual dose o paciente está tolerando”, explica Ariana. Existe também uma idade mínima para o início do tratamento, de 5 anos, pois antes disso a alergia pode desaparecer sozinha.
Especialistas lembram que esse tipo de tratamento jamais deve ser feito sem acompanhamento médico. “O tratamento deve ser feito em uma instituição segura. Existe um risco de o paciente ter um choque anafilático, por isso é preciso ter recursos de tratamento e profissionais habilitados para lidar com uma reação”, diz a alergologista Yara Arruda Mello, do Hospital São Luiz.
Segundo Yara, a alergia alimentar pode ter manifestações na pele, com urticárias, no trato digestivo, com diarreia e vômito, ou no sistema respiratório.
Para o médico gastroenterologista Aytan Miranda Sipahi, do Hospital Sírio-Libanês, os casos de alergia têm aumentado. “Discute-se se o aumento veio com a maior capacidade de diagnosticar ou se houve um aumento de verdade”, afirma. Ele observa que fatores ambientais como o aumento da poluição e dos aditivos agrícolas usados na alimentação poderiam ser responsáveis por este aumento.
fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,alergia-a-alimentos-pode-melhorar-com-exposicao-a-pequenas-doses,979089,0.htm
sábado, 5 de janeiro de 2013
Técnica americana mantém pão conservado por até 60 dias
Uma empresa americana desenvolveu uma técnica que mantém o pão conservado por
até 60 dias, o que reduziria significativamente o total de alimentos
desperdiçados, segundo seus criadores.
A técnica da Microzap consiste em erradicar as substâncias e organismos que produzem o bolor ao cozinhar a massa em fornos micro-ondas especiais que foram desenvolvidos inicialmente para matar as bactérias causadoras da salmonela e o estafilococo.
No laboratório da empresa, sediado na Universidade de Tecnologia do Texas, fica o forno especial, que lembra um aparelho de produção em linha industrial. Don Stull, executivo da empresa, explica como é o processo. "Nós tratamos uma fatia do pão no forno, e então checamos a quantidade de bolor no pão. Depois de 60 dias, a quantidade era a mesma desde o momento em que saiu do forno", diz.
O bolor é um dos principais problemas do armazenamento do pão. Se os pães estão em embalagens plásticas, qualquer resquício de água no alimento pode evaporar e tornar a superfície úmida. Com isso, criam-se condições para o crescimento do Rhizopus stolonifer, fungo que gera o bolor, que geralmente aparece 10 dias após aberto o pacote.
O forno usado tem a mesma tecnologia dos micro-ondas comuns, mas com algumas particularidades. "Nós usamos frequências de formas variadas, emitidas por um radiador. Temos basicamente uma densidade homogênea no sinal, o que quer dizer que não deixamos pontos frios e quentes como nos micro-ondas domésticos", explica Stull.
O aparelho atraiu a atenção da indústria panificadora, mas há receios de que ele aumente os custos de produção. Além disso, há o fato de que os consumidores não necessariamente estejam dispostos a comer um pão com mais de um mês de fabricação. "Precisamos que haja aceitação do consumidor. A maioria das provavelmente aceitaria se a qualidade do alimento for mantida", afirma.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,tecnica-americana-mantem-pao-conservado-por-ate-60-dias,967457,0.htm
A técnica da Microzap consiste em erradicar as substâncias e organismos que produzem o bolor ao cozinhar a massa em fornos micro-ondas especiais que foram desenvolvidos inicialmente para matar as bactérias causadoras da salmonela e o estafilococo.
No laboratório da empresa, sediado na Universidade de Tecnologia do Texas, fica o forno especial, que lembra um aparelho de produção em linha industrial. Don Stull, executivo da empresa, explica como é o processo. "Nós tratamos uma fatia do pão no forno, e então checamos a quantidade de bolor no pão. Depois de 60 dias, a quantidade era a mesma desde o momento em que saiu do forno", diz.
O bolor é um dos principais problemas do armazenamento do pão. Se os pães estão em embalagens plásticas, qualquer resquício de água no alimento pode evaporar e tornar a superfície úmida. Com isso, criam-se condições para o crescimento do Rhizopus stolonifer, fungo que gera o bolor, que geralmente aparece 10 dias após aberto o pacote.
O forno usado tem a mesma tecnologia dos micro-ondas comuns, mas com algumas particularidades. "Nós usamos frequências de formas variadas, emitidas por um radiador. Temos basicamente uma densidade homogênea no sinal, o que quer dizer que não deixamos pontos frios e quentes como nos micro-ondas domésticos", explica Stull.
O aparelho atraiu a atenção da indústria panificadora, mas há receios de que ele aumente os custos de produção. Além disso, há o fato de que os consumidores não necessariamente estejam dispostos a comer um pão com mais de um mês de fabricação. "Precisamos que haja aceitação do consumidor. A maioria das provavelmente aceitaria se a qualidade do alimento for mantida", afirma.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,tecnica-americana-mantem-pao-conservado-por-ate-60-dias,967457,0.htm
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